Sobre o autor

Paulo Becknetter, o Beck, é jornalista. Nos últimos anos, desempenhou a função de colunista de atualidades nos jornais “BOM DIA Rio Preto” (2007 a 2013) e “Diário da Região” (2013/14). Agora, oficialmente na web, o Blog do Beck afina sua vocação para a comunicação diária, alinhando informação digital e bom humor na medida ideal. Para mais posts, siga também @BlogDoBeck no Instagram.

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De Rio Preto para a CASACOR São Paulo: arquiteto Lucas Carrara estreia na mostra com o ambiente ‘Tramas e Transbordos’

Atualizado em 1 de junho de 2026, 14:54h
O arquiteto Lucas Carrara aparece próximo a um conjunto antigo figuras amazônicas feitas por povos originários; do quadro colorido Homens de Barro 44, de MAFENOGFER, que homenageia a miscigenação; além de mesinhas em resina e vidro soprado | Fotos: Felipe Cuine.

Antes de abrir as portas ao público nesta terça-feira (2), a CASACOR São Paulo já tem um nome de São José do Rio Preto chamando atenção. O arquiteto rio-pretense Lucas Carrara faz sua aguardada estreia na maior mostra de arquitetura, design de interiores e paisagismo do Brasil com o ambiente “Tramas e Transbordos”, um espaço que celebra a riqueza cultural, histórica e afetiva da América Latina.

Instalado no Parque da Água Branca, em São Paulo, o projeto convida o visitante a desacelerar. Em um living de 35 m², pensado como uma ilha de conforto, Carrara propõe uma experiência sensorial que mistura arte, design, literatura, memória e identidade latino-americana.

Com carreira em ascensão, o arquiteto define o espaço como uma homenagem ao cotidiano e à diversidade do continente.

Próxima à entrada para os banheiros, uma nova leitura da popular cadeira dobrável de metal, tão tradicional nos bares brasileiros. Logo acima, estão as obras da série “Como secar minhas feridas”, do artista contemporâneo Renato Dib, produzida com lenços, guardanapos, linhas e alfinetes. Na outra foto, o arquiteto Lucas Carrara aparece no sofá junto à mesa lateral Festas Brasileiras 7, da artista paulista Juliana Nagle, e a arte-objeto Varal Serpente 3, também de Renato Dib | Fotos: Felipe Cuine

“Tramas e Transbordos é uma homenagem à história e ao cotidiano latino-americano, marcados por uma diversidade capaz de encantar pessoas de todas as partes do mundo”, destaca.

Mais do que um ambiente de passagem, o projeto se transforma em refúgio. Obras de arte, mobiliário, objetos garimpados ao longo dos anos e referências culturais dialogam para criar uma atmosfera acolhedora, onde cada detalhe parece carregar uma história.

Entre os profissionais presentes estão nomes ligados a Rio Preto, como MAFENOGFER e Samia Bilachi, reforçando o protagonismo regional dentro de uma das mostras mais importantes do país.

Entre memória, afeto e identidade

Segundo Carrara, a América Latina está presente não como um recurso estético, mas como uma herança viva. “Ela aparece nos objetos, nos gestos, nas materialidades e nas memórias coletivas que carregamos.”

Dos dois ângulos do living é possível observar a composição do ambiente assinado pelo arquiteto Lucas Carrara. As estantes curvas com livros e objetos selecionados, o tecido verde drapeado entre as paredes revestidas de madeira e o teto, mobiliário e obras de arte se evidenciam em companhia do vitral com pratos de porcelana pintados à mão | Fotos: Felipe Cuine

Essa proposta se revela em diversos elementos do ambiente. Um dos destaques é a releitura contemporânea da tradicional cadeira dobrável de metal, símbolo dos encontros informais em bares e calçadas brasileiras. A peça ganhou nova vida com aplicação de resina de poliéster, transformando um objeto cotidiano em obra de design.

A arte também assume papel central. O espaço reúne trabalhos de artistas brasileiros e latino-americanos, além de peças indígenas, objetos ancestrais, livros e elementos que traduzem a diversidade cultural do continente.

Na estante, autores como Gabriel García Márquez, Mario Vargas Llosa, Isabel Allende e Jorge Amado dividem espaço com livros dedicados a personalidades como Ayrton Senna e Sebastião Salgado. Vasos indígenas, cabaças antigas e frutos naturais de cacau completam a composição, evocando saberes ancestrais e a riqueza dos povos originários.

Nas duas primeiras imagens, muitas referências latino-americanas. Entre os destaques estão peças com forte presença de materiais têxteis: a composição em cerâmica com serigrafia do mapa da América Latina e envolta por uma trama de crochê, da Constelar; e a obra de Nicole Nigro, marcada por tramas coloridas e pela frase “Latino demais para ser minimalista”. Na última foto, Lucas Carrara aparece próximo a um conjunto antigo de cinco figuras amazônicas feitas por povos originários; do quadro colorido Homens de Barro 44, de MAFENOGFER, que homenageia a miscigenação; além de mesinhas em resina e vidro soprado | Fotos: Felipe Cuine

Outro destaque é o painel “Onde a Terra Transborda”, de Samia Bilachi, formado por dezenas de pratos de porcelana pintados à mão. A obra reúne cenas do cotidiano brasileiro, elementos botânicos, frutas tropicais e símbolos populares em uma espécie de vitral contemporâneo suspenso.

Arquitetura que acolhe

A forte presença da madeira, dos tecidos e das referências à moda ajuda a construir a sensação de aconchego proposta pelo arquiteto.

Paredes revestidas em tons amadeirados escuros, tecidos drapeados, iluminação indireta e mobiliário de linhas acolhedoras criam um ambiente que abraça o visitante. Até mesmo os banheiros receberam tratamento especial, com veludo em tom rosa queimado e estampas inspiradas na flora regional.

O conceito também dialoga diretamente com o tema da CASACOR 2026, “Mente & Coração”, que propõe uma reflexão sobre espaços mais humanos, sensíveis e conectados às pessoas. Para Carrara, o ambiente representa justamente esse encontro entre estrutura e emoção.

Mais do que um ambiente de passagem, o projeto se transforma em refúgio. Obras de arte, mobiliário, objetos garimpados ao longo dos anos e referências culturais dialogam para criar uma atmosfera acolhedora, onde cada detalhe parece carregar uma história.

“As tramas representam aquilo que organiza e constrói identidade. Já o transbordo revela a memória, o afeto, a cultura e tudo aquilo que não cabe dentro de limites.”

A estreia de Lucas Carrara na CASACOR marca não apenas um importante momento de sua trajetória profissional, mas também leva um pouco da sensibilidade, da criatividade e da força artística de Rio Preto para o principal palco da arquitetura latino-americana.

A CASACOR São Paulo segue aberta ao público até 9 de agosto.

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    Paulo Becknetter, o Beck, é jornalista. Nos últimos anos, desempenhou a função de colunista de atualidades nos jornais "BOM DIA Rio Preto" (2007 a 2013) e "Diário da Região" (2013/14). Agora, oficialmente na web, o Blog do Beck afina sua vocação para a comunicação diária, alinhando informação digital e bom humor na medida ideal. Nas horas de faxina, tratar dos mesmos assuntos com Berenice Du Lar, a interina e eterna Garota da Laje de Ipanema. Aceita, brazeeel!

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