
Antes de abrir as portas ao público nesta terça-feira (2), a CASACOR São Paulo já tem um nome de São José do Rio Preto chamando atenção. O arquiteto rio-pretense Lucas Carrara faz sua aguardada estreia na maior mostra de arquitetura, design de interiores e paisagismo do Brasil com o ambiente “Tramas e Transbordos”, um espaço que celebra a riqueza cultural, histórica e afetiva da América Latina.
Instalado no Parque da Água Branca, em São Paulo, o projeto convida o visitante a desacelerar. Em um living de 35 m², pensado como uma ilha de conforto, Carrara propõe uma experiência sensorial que mistura arte, design, literatura, memória e identidade latino-americana.
Com carreira em ascensão, o arquiteto define o espaço como uma homenagem ao cotidiano e à diversidade do continente.

“Tramas e Transbordos é uma homenagem à história e ao cotidiano latino-americano, marcados por uma diversidade capaz de encantar pessoas de todas as partes do mundo”, destaca.
Mais do que um ambiente de passagem, o projeto se transforma em refúgio. Obras de arte, mobiliário, objetos garimpados ao longo dos anos e referências culturais dialogam para criar uma atmosfera acolhedora, onde cada detalhe parece carregar uma história.
Entre os profissionais presentes estão nomes ligados a Rio Preto, como MAFENOGFER e Samia Bilachi, reforçando o protagonismo regional dentro de uma das mostras mais importantes do país.
Entre memória, afeto e identidade
Segundo Carrara, a América Latina está presente não como um recurso estético, mas como uma herança viva. “Ela aparece nos objetos, nos gestos, nas materialidades e nas memórias coletivas que carregamos.”

Essa proposta se revela em diversos elementos do ambiente. Um dos destaques é a releitura contemporânea da tradicional cadeira dobrável de metal, símbolo dos encontros informais em bares e calçadas brasileiras. A peça ganhou nova vida com aplicação de resina de poliéster, transformando um objeto cotidiano em obra de design.
A arte também assume papel central. O espaço reúne trabalhos de artistas brasileiros e latino-americanos, além de peças indígenas, objetos ancestrais, livros e elementos que traduzem a diversidade cultural do continente.
Na estante, autores como Gabriel García Márquez, Mario Vargas Llosa, Isabel Allende e Jorge Amado dividem espaço com livros dedicados a personalidades como Ayrton Senna e Sebastião Salgado. Vasos indígenas, cabaças antigas e frutos naturais de cacau completam a composição, evocando saberes ancestrais e a riqueza dos povos originários.

Outro destaque é o painel “Onde a Terra Transborda”, de Samia Bilachi, formado por dezenas de pratos de porcelana pintados à mão. A obra reúne cenas do cotidiano brasileiro, elementos botânicos, frutas tropicais e símbolos populares em uma espécie de vitral contemporâneo suspenso.
Arquitetura que acolhe
A forte presença da madeira, dos tecidos e das referências à moda ajuda a construir a sensação de aconchego proposta pelo arquiteto.
Paredes revestidas em tons amadeirados escuros, tecidos drapeados, iluminação indireta e mobiliário de linhas acolhedoras criam um ambiente que abraça o visitante. Até mesmo os banheiros receberam tratamento especial, com veludo em tom rosa queimado e estampas inspiradas na flora regional.
O conceito também dialoga diretamente com o tema da CASACOR 2026, “Mente & Coração”, que propõe uma reflexão sobre espaços mais humanos, sensíveis e conectados às pessoas. Para Carrara, o ambiente representa justamente esse encontro entre estrutura e emoção.

“As tramas representam aquilo que organiza e constrói identidade. Já o transbordo revela a memória, o afeto, a cultura e tudo aquilo que não cabe dentro de limites.”
A estreia de Lucas Carrara na CASACOR marca não apenas um importante momento de sua trajetória profissional, mas também leva um pouco da sensibilidade, da criatividade e da força artística de Rio Preto para o principal palco da arquitetura latino-americana.
A CASACOR São Paulo segue aberta ao público até 9 de agosto.






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