
O coração do Nordeste vai bater forte em Olímpia durante a 62ª edição do Festival do Folclore (FEFOL). Com uma das maiores delegações desta edição, a região desembarca no interior paulista com 19 grupos vindos de oito estados, levando ao palco um verdadeiro mergulho nas tradições que ajudam a contar a história do Brasil.
Serão representantes de Pernambuco, Rio Grande do Norte, Ceará, Paraíba, Piauí, Maranhão, Alagoas e Sergipe, reunindo manifestações como reisado, coco de roda, bumba meu boi, caboclinho, pastoril, ciranda, congos e os tradicionais bacamarteiros. Cinco grupos participam do festival pela primeira vez.
O destaque fica para Sergipe, estado que lidera a representação nordestina com cinco grupos e ocupa a terceira maior delegação de todo o festival. Entre eles está o tradicional Batalhão de Bacamarteiros de Carmópolis, cuja origem remonta ao século XVIII, nos antigos engenhos de cana-de-açúcar do Vale do Cotinguiba. A manifestação, criada por pessoas escravizadas, atravessou gerações e hoje é reconhecida como Patrimônio Imaterial de Sergipe.
Outro destaque é o Reisado Baile Estrela, de Moita Bonita, que mantém viva uma tradição passada de geração em geração há quase duas décadas, além dos grupos Parafusos, Ciranda de Roda e dos estreantes Bacamarteiros Cangaceiros de Lampião.
O Rio Grande do Norte também chega com força, trazendo quatro grupos. Entre eles está o Coco do Calemba, que conquistou reconhecimento nacional como Ponto de Cultura, e o centenário Pastoril Dona Joaquina, tradição familiar iniciada em 1916 e preservada por cinco gerações.
Alagoas marca presença com quatro representantes, incluindo dois estreantes: o Bumba Meu Boi Águia de Ouro e o Coco de Roda Alagoano Evolução. A delegação ainda conta com o tradicional Coco de Roda Babaçu e o Grupo Flor da Serra.
A Paraíba será representada pela Companhia Raízes, de Campina Grande, que celebra 30 anos de história e já levou a cultura nordestina para palcos da França e da Bélgica.
O Ceará estreia com o Grupo Miraira, referência na pesquisa e difusão da cultura popular cearense há mais de quatro décadas.
Pernambuco chega com o Caboclinho Canidé, grupo reconhecido como Patrimônio Vivo do Estado. Já o Piauí apresenta os tradicionais Congos de Oeiras, manifestação ligada às raízes afro-brasileiras e à religiosidade popular.
O Maranhão completa a delegação nordestina com dois representantes do tradicional bumba meu boi: o estreante Encanto do São Cristóvão e o consagrado Boi de Palha, presença frequente no festival desde a década de 1990.
Para a secretária de Cultura e Defesa do Folclore de Olímpia, Priscila Foresti, a participação nordestina é uma das grandes riquezas do evento. “O Nordeste é uma das almas mais pulsantes da cultura popular brasileira. Cada grupo traz consigo a memória viva de uma comunidade e ajuda a manter essas tradições preservadas”, destacou.
Já o prefeito Geninho Zuliani ressaltou a importância do festival para a cidade. “Quando o Nordeste sobe ao palco do FEFOL, é o Brasil inteiro que se reconhece nessa diversidade cultural. Olímpia se consolida como um grande ponto de encontro das tradições brasileiras”, afirmou.
Com entrada gratuita, o 62º FEFOL acontece de 1º a 9 de agosto e deve reunir cerca de 180 mil visitantes. Ao todo, mais de 70 grupos de todo o país participarão da programação, transformando Olímpia mais uma vez na capital nacional do folclore.






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